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1) Formação
do Sistema Solar e Evolução Planetária
Muitas teorias foram propostas para a formação
do sistema solar:
As primeiras delas, as chamadas teorias catastróficas,
davam conta que o sistema solar poderia ter se formado quando um outro
astro passou perto o suficiente do nosso Sol para “arrancar” matéria
solar, matéria esta que formou o cortejo planetário, contudo
esta teoria apresentava dois problemas principais: pressupõem que
o Sol já estava formado, portanto não explica satisfatoriamente
como o Sol surgiu e segundo não explica porque os planetas, tendo
surgido diretamente da matéria solar, apresentam diferentes proporções
de elementos químicos das que são encontradas no Sol, nem
explica as diferenças gritantes entre os planetas ditos terrestres
ou telúricos e os planetas gasosos ou jovianos.
Essas teorias foram abandonadas em detrimento
da Teoria de Acresção.
2) A Teoria de Acresção:
a Nebulosa Solar Primitiva (NSP)
Esta teoria foi proposta inicialmente por Laplace
em 1796, em suas linhas gerais ela propunha que existia uma nuvem de gás
e poeira e esta nuvem aos poucos agregou mais gás e poeira em um
determinado ponto o qual veio formar o Sol, posteriormente os planetas
formaram-se da mesma matéria interestelar, o que Laplace não
soube explicar é como os planetas foram capturados pelo Sol, bem
como supôs que o Sol produzia energia através da queima da
sua matéria. Não existiam ainda, provas de que esta teoria
estava correta. No entanto a teoria foi bem aceita de um modo geral.
Atualmente a teoria de Laplace foi reformulada
para poder adaptar os dados observacionais que balizam a idéia que
os planetas e o Sol tem origem da mesma matéria interestelar. Para
isto atestam suas abundâncias relativas de deutério, hidrogênio,
lítio, silício e ferro. Elas são iguais nos planetas
e no meio interestelar. A simultaneidade das idades do Sol e dos planetas
são comprovadas através da taxa análise radioativa
das rochas terrestres e da composição química atual
do Sol.
Mas afinal como se formam o Sol e os planetas
pela Teoria da Acresção atual?
Primeiramente uma nuvem de gás e poeira
densa começa a entrar no que se chama de colapso gravitacional,
ou seja um aumento na concentração de gás.
Em um determinado ponto da nuvem faz com que
haja um conseqüente aumento da gravidade local e este processo provocou
um círculo vicioso onde atração gravitacional promove
a atração de mais matéria que por sua vez aumenta
ainda mais a atração gravitacional atraindo mais matéria.
Este acúmulo de matéria acaba por
criar um aumento de pressão e temperatura locais, especialmente
na região central, contudo este agregado de gás não
tinha massa o suficiente para produzir energia termonuclear, como
o Sol faz atualmente, mas sim por contração gravitacional.
Nesta fase o proto-Sol estava envolvido por uma denso invólucro
de gás e poeira e apenas emitia radiação na faixa
da radiação infravermelha. Neste ponto a nuvem
de gás havia tomado a forma de um disco com um adensamento central.
Dentro do adensamento central o gás era
paulatinamente acumulado e assim que a pressão gravitacional deste
gás atingiu um ponto crítico (massa da proto-estrela >0,08
massas solares) a proto-estrela começa a produzir energia através
de reações de fusão nuclear e não mais apenas
através da contração gravitacional entrando na fase
de equilíbrio onde a pressão da energia interna da estrela
contrabalança a pressão gravitacional. A proto-estrela então
transformou-se finalmente em uma estrela e existirá neste estado
de equilíbrio de produção de energia, tanto tempo
quanto menor for sua massa.
Contudo, no disco de poeira e gás que
ainda circunda esta jovem estrela, aconteciam outros processos que culminariam
na formação dos planetas. Gás e poeira ainda restantes
começavam a condensar-se sendo que a uma dada distância do
Sol somente se condensaram os materiais cujos pontos de fusão eram
mais altos do que a temperatura local (caso contrário se vaporizariam
antes de poderem se aglutinar). Logo mais próximo da estrela os
matérias refratários como silicatos e óxidos predominaram
aos gases (mais voláteis) sendo que nesta região formaram-se
os planetas telúricos. Enquanto que em regiões mais afastadas
da estrela (na região de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno),
condensaram-se compostos mais leves como C, N, O e H bem como água,
dióxido de carbono, metano e amônia. Desta forma se diferenciaram
os planetas telúricos dos jovianos.
Com a sedimentação sempre crescente
do disco planetário os grão de poeira passaram a colidir
cada vez mais constantemente entre si e a crescer até formar corpos
de dimensões centimétricas. Estima-se que esta fase tenha
durado no mínimo 1000 anos.
O que ocorreu após a formação
dos grânulos iniciais ainda é motivo de debate, mas a teoria
que parece se firmar é que houve, ao nível de planos orbitais
planetários, foi que estes grãos formaram não um único
corpo diretamente, mas inúmeros corpos com dimensões quilométricas
que através do atrito com a matéria nebular ainda restante
diminuía sua velocidade propiciando choques que acabaram por formar
finalmente os planetesimais que nada mais eram que os embriões dos
planetas.
Estes planetesimais contudo já podiam,
dado as suas dimensões e densidade, exercer suficiente atração
gravitacional para atrair mais matéria, evoluindo muito mais rapidamente
em massa e dimensões do que até então.
Neste ponto se dá a diferenciação
que originará os planetas telúricos dos jovianos.
Os planetas jovianos parecem terem sido os primeiros
a completarem sua formação devido principalmente ao fato
que em suas órbitas afastadas existia muito mais gelo do que em
órbitas mais interiores ao planeta Júpiter. Sendo que o gelo
possui uma aderência natural estes planetas cresceram muito mais
rapidamente do que os telúricos, este rápido crescimento
propiciou que eles absorvessem os gases leves que os constituem antes que
estes gases se dissipassem pelo calor e pelo vento solar. Júpiter
e Saturno ao que tudo indica, foram os primeiros a se formarem pois apresentam
uma composição muito mais rica em H e He do que Urano e Netuno.
Os planetas telúricos formaram-se, como
dito anteriormente pelos materiais refratários e pobre em gases
como os silicatos. Ao que se devem então os gases das atmosferas
dos planetas telúricos? Este é um ponto ainda
obscuro mas as atmosferas parecem ter se formado, quando já no final
da formação planetária,
Asteróides mais afastados, ricos em água
e outros gases bem como carbono, foram perturbados gravitacionalmente por
Júpiter e escaparam de suas órbitas sendo atraídos
pelos planetas internos quando passaram perto destes. Pela emissão
de gás destes materiais formaram-se as atmosferas dos planetas internos.
A Teoria do disco de acresção
apesar de explicar satisfatoriamente o processo de formação
estelar e planetária necessitava de uma confirmação
visual. Esta veio com as espetaculares imagens, feitas pelo telescópio
espacial HUBBLE, da estrela BETA PICTORIS circundada pela NSP que a formou
(Figura 1)
Análises recentes deste disco de poeira
demonstrou evidências que devem existir planetas em adiantado estado
de formação no seu interior.
3) A Evolução
do planeta Terra
O único planeta que seguramente temos
a certeza da existência de vida é o planeta Terra , apesar
de termos ainda outros planetas e luas no sistema solar que concorram com
chances de possuírem ou terem possuído vida. Portanto iremos
analisar a surgimento e evolução da vida no nosso planeta
para podermos extrapolar essas condições para outros mundos.
Formação da crosta
e atmosfera
Após a fase de acresção
na qual se formou o corpo que viria a ser a Terra, a temperatura era muito
elevada tanto devido a energia liberada pelo intenso bombardeio da matéria
em acresção quanto pela energia radioativa. O nosso planeta
nada mais era que uma massa incandescente, nesse momento os elementos químicos
mais densos afundaram sendo que hoje fazem parte da composição
do núcleo e do manto enquanto os menos densos como os silicatos
vieram a formar a crosta.
A formação da atmosfera é
um dos pontos mais importantes para o entendimento do surgimento da vida.
A atmosfera terrestre parece ter tido 3 momentos diferentes; o primeiro
deles se refere a camada gasosa que se formou durante a acresção,
esta atmosfera primitiva devia ser formada basicamente dos gases capturados
na nebulosa solar primitiva, contudo devia ser constituída de gases
leves que foram facilmente arrastados pelo intenso vento solar, em um segundo
momento após a Terra ter se resfriado o suficiente, a emissão
de gás das rochas e a intensa atividade vulcânica formaram
uma atmosfera em tudo diferente da atual, esta atmosfera primitiva seria
basicamente composta por CO2, N2 1, H2O, CH4, NH3 e H2S ou seja a Terra
possuía uma atmosfera não – oxidante 2.
A Formação dos Oceanos
O planeta Terra, até onde se sabe, é
o único a manter água líquida em sua superfície.
Mas como os Oceanos se formaram ?
A teoria mais aceita diz que a emissão
de gás das rochas na formação do planeta liberou gases
suficientes para o surgimento de um efeito estufa, parte destes gases era
vapor d’água que se condensava à partir de uma certa altitude
e voltava a cair sobre a superfície como chuva, no entanto o calor
extremo do solo ainda semi-liquefeito fazia com que a água evaporasse
antes mesmo de tocá-lo. Este vapor voltava a condensar-se e a se
precipitava na forma de verdadeiros “dilúvios”, este processo intermitente
durou aproximadamente 100 milhões de anos. Neste período
de tempo, a constante precipitação e evaporação
da água auxiliou o abaixamento da temperatura superficial. No momento
em que a temperatura do solo atingiu um ponto abaixo do ponto de ebulição
da água esta pôde começar a se acumular nos pontos
mais baixos da superfície do globo.
O violento escoamento das partes mais altas da
superfície, com a conseqüente erosão, ocasionou o arraste
de grandes quantidades de sais para os oceanos recém formados, tornando-os
salgados.
Porém ao se formarem os oceanos outros
componentes além dos sais arrastados da superfície foram
acrescentados a eles; as chuvas torrenciais dissolviam em suas gotas parte
do CO2 atmosférico transformando-o em ácido carbônico,
o ácido carbônico reagia com os silicatos das rochas e se
transformava em carbonato de cálcio1 (CaCO3), este carbonato de
cálcio era por fim arrastado aos mares onde se acumulou2. Este processo
diminuiu o efeito estufa, consequentemente amenizando a temperatura do
planeta além de permitir que a atmosfera se tornar-se mais transparente
a radiação solar, com destaque especial devido ao seu papel
na formação da vida, à radiação ultravioleta.
Os Compostos Orgânicos Primitivos
A origem dos compostos orgânicos no nosso
planeta ainda é um problema não tanto pela incerteza de sua
formação mas quanto a sua origem. Duas hipóteses são
igualmente coerentes, a da formação à partir da atmosfera
primitiva e a da origem extraterrestre.
A origem atmosférica dos aminoácidos foi testada por Stanley Miller em 1953 através de um experimento em que se produzia vapor de água que fazia circular em um tubo, até uma câmara onde havia metano, amônia e hidrogênio, simulando os componentes principais da atmosfera primitiva. O vapor de água condensava-se sob a forma de “chuva”. Ao conjunto, ligavam-se terminais elétricos que produziam descargas elétricas em miniatura ( Figura 2).
Após uma semana de funcionamento ininterrupto,
a água existente no balão rica em carbono, como os oceanos
primitivos, começou a ficar turva e com coloração
vermelha. Uma vez analisada esta água demonstrou ser uma mistura
complexa de aminoácidos.
Dessa forma Miller demonstrou que na atmosfera
primitiva, os relâmpagos e os compostos químicos, poderiam
fornecer o substrato e a energia suficiente para a síntese de moléculas
orgânicas complexas.
Porém outra teoria muito debatida é
a da origem extraterrestre dos aminoácidos. Análise por rádio
e espectrometria de nebulosas revelou uma incrível variedade com
mais de 200 elementos e compostos químicos. Mas até o presente
momento não foram localizados aminoácidos nestas nuvens gasosas.
Contudo os aminoácidos já foram localizados em meteoritos
e estes meteoritos são precisamente do tipo que acredita-se
terem trazido água para a Terra na época de sua formação.
Dessa maneira, de uma forma ou de outra, provavelmente os Oceanos se formaram
conjuntamente com os primeiros aminoácidos.
4) Os primeiros seres
vivos
Nós podemos distinguir facilmente um ser
vivo de um não-vivo, mas não podemos realmente dizer com
precisão o que é vida.
Em poucas palavras podemos dizer que as primeiras
moléculas foram aquelas capazes de incorporar substâncias
do meio em sua estrutura. Incorporando novas substâncias, a molécula
crescia a ponto de fragmentar-se em outras moléculas.
Contudo se as moléculas que se reproduziam
não produzissem uma cópia perfeita de si mesma e a molécula-filha
não fosse tão eficiente na absorção de nutrientes
do meio ou de se reproduzir, rapidamente ela seria ultrapassada por outras
moléculas mais eficientes nesta capacidade.
A formação de proteínas
a partir de aminoácidos tem se realizado em laboratório.
Contudo a formação de ácidos nucleicos, a partir de
açúcares e fosfatos em DNA e RNA ainda não foi possível.
Novas evidências contudo indicam que moléculas
simples em presença de superfícies argilosas e água
podem formar grandes moléculas. Talvez uma grande molécula
de fosfatos e açúcares tenha adquirido a capacidade de se
auto-replicar dando origem aos primeiros ácidos nucleicos. Os primeiros
ácidos nucleicos devem ter sido muito semelhantes ao RNA, senão
o próprio.
Paralelamente ao que ocorria na superfície,
as proteínas, que eram formadas a partir dos primeiros aminoácidos1
quando dissolvidas nas águas dos oceanos, adquiriam carga elétrica,
atraindo moléculas de água ao redor de si, formando uma camada
organizada de moléculas de água. Chamamos a esses agrupamentos
de coaservados (Figura 3 ).
Os coaservados ao se dispersarem cada vez mais
pelos oceanos absorviam mais e mais moléculas orgânicas e
inorgânicas. É possível que certas reações
químicas que ocorriam dentro desses coaservados liberavam energia
o suficiente para formação de outras estruturas químicas
que tornavam estes proto-organismos mais e mais estáveis. Talvez
neste momento alguns coaservados tenham absorvido moléculas de ácidos
nucleicos carregadas pelos rios até os mares, possibilitando que
estes proto-organismos se replicassem com mais exatidão e dessa
forma transmitissem as suas características aos seus descendentes.
Não se sabe ao certo o momento em que
o
DNA formou-se pela primeira vez mas é possível que as proteínas
que existiam dentro dos coaservados atuaram como enzimas catalíticas
que atuaram de modo a transformar o RNA primitivo em DNA. Este processo
é bem conhecido e ocorre atualmente em vírus. Porém
pode-se supor que a partir do momento que o DNA se formou, este tomou o
lugar do RNA na responsabilidade da replicação e dessa forma
a maioria das bactérias e todos os seres eucariontes possuem o DNA
como portador do código genético principal.
A partir do momento em que os coaservados se
tornaram uma estrutura estável e com capacidade de se reproduzir
e alimentar, eles passam a ser chamados de ORGANISMOS VIVOS.
5) O Surgimento da Fotossíntese
Existem quatro grandes processos de obtenção
de energia: a Quimiossíntese, a Fermentação, a Fotossíntese
e a Respiração Aeróbica.
As bactérias mais primitivas atualmente
na Terra são quimiossintetizantes ou seja produzem energia a partir
da quebra de outras moléculas inorgânicas que são absorvidas.
Este processo gera pouca energia mas provavelmente foi o primeiro a ser
utilizado.
São precisamente as bactérias quimiossintetizantes
que sobrevivem nas ventas abissais dos oceanos. Absorvendo principalmente
os derivados de enxofre, que são emanados dessas fontes térmicas,
estas bactérias produzem energia.
Este local parece ser inóspito para o
surgimento da vida por dois motivos, primeiro se considerarmos que a radiação
ultravioleta teria rapidamente dissociado o RNA ou o DNA primitivo dessas
primeiras bactérias, se estas estivessem mais próximas da
superfície dos oceanos, este ambiente parece ter sido ideal pois
a radiação letal não chega nas grandes profundidades
do oceano. Segundo: as proximidades de uma venta térmica submarina
é um ambiente rico em substâncias químicas inorgânicas
que poderiam muito bem ter atuado como catalisadores para as primeiras
reações químicas no interior dos coaservados.
Dessa forma os primeiros organismos se desenvolveram
protegidos mas na superfície do oceanos a radiação
UV dissociava as águas produzindo oxigênio, que a grandes
altitudes formou ozônio (O3) que pouco a pouco foi bloqueando a penetração
da radiação UV.
Algumas dessas bactérias abissais puderam
então sobreviver em ambientes menos profundos alimentando-se um
dos outros (organismos heterótrofos) e da glicose que a radiação
UV havia formado nos mares. Como não havia oxigênio dissolvido
nos oceanos estas bactérias produziam energia por fermentação.
O excesso de consumo levou a escassez de glicose
e a fermentação havia produzido grandes quantidades de CO2
nos mares. Dessa forma, as bactérias mutantes que conseguiam sintetizar
seu próprio alimento à partir da luz, do CO2 e utilizando
pouco oxigênio sobreviveram: surgia assim a fotossíntese e
a respiração.
Os organismos fotossintetisantes (autótrofos)
aos poucos produziram grandes quantidades de oxigênio enriquecendo
a atmosfera terrestre ao longo de 1,5 bilhões de anos favorecendo
o surgimento de bactérias que apesar de não produzirem sua
própria energia eram heterótrofos alimentando-se dos autótrofos
e utilizavam o oxigênio para a respiração.
Dessa forma em cerca de 1 bilhão de anos
após a formação do planeta a vida estabilizou-se na
Terra e seguiu o curso da evolução natural darwiniana por
durante mais 2,5 bilhões de anos até dar forma a uma espécie
com consciência de si própria e com inteligência para
questionar e pesquisar suas próprias origens: a espécie humana.
6) Vida extraterrestre
Dada a rapidez e aparente facilidade com que
a vida surgiu os exobiólogos estão convictos da existência
de vida em outros mundos que possuam condições mínimas
para a vida sobreviver, mas a principal condição é
a existência de água.
Foi determinada uma “faixa orbital“ onde a vida
pode se desenvolver de modo que um planeta, que orbite uma estrela com
as mesmas características de temperatura, luminosidade e idade que
o nosso Sol, possa possuir água líquida em sua superfície,
esta faixa encontra-se entre 100 milhões e 250 milhões de
quilômetros de distância da estrela.
Em nosso sistema solar três planetas encontram-se
dentro desta faixa: Vênus, a Terra e Marte.
Vênus não possui água em
sua superfície e por isso está descartada a possibilidade
de vida neste planeta.
As pesquisas concentram-se em Marte que possui
metade do diâmetro do nosso planeta e diversas outras características
em comum. Sendo que apesar de não possuir água líquida
em sua superfície, possui uma série de evidências de
que esta já correu sobre o planeta, tais como:
1) - Canais que lembram leitos de rios secos
( Figura 4 ).
2) - A análise de meteoritos marcianos
indicam que os minérios presentes nestes foram oxidados em presença
da água.
3) - A sonda Mars Pathfinder, através
de fotos de sua área de pouso, demonstrou um terreno pedregoso com
grandes rochas inclinadas todas na mesma direção sendo a
única explicação para a presença destas rochas
é que elas tenham sido “arrastadas” por uma forte correnteza (Figura
5).
4) - Evidências geológicas de
grandes depósitos de gelo sob a superfície
5) - Erosão em crateras antigas sendo
que alguns canais atravessam crateras preexistentes, enquanto outros canais
parecem ter surgido pela posterior formação de crateras (a
explicação para isto é que o impacto do meteoro liquefez,
temporariamente o gelo retido sob a superfície estima-se que os
canais mais antigos tenham por volta de 3 bilhões de anos e os mais
recentes cerca de 500 milhões de anos )
A água em Marte parece ter existido precisamente
no mesmo momento em que na Terra formavam-se os primeiros organismos, por
isso que em 1996 quando foi anunciada a descoberta de um meteorito de origem
marciana o meteorito ALH84001, com estruturas fósseis e rastros
químicos que sugeriam a presença de microrganismos atuando
naquela rocha à 3 bilhões de anos, os astrônomos ficaram
exultantes. Contudo a possibilidade de contaminação do meteorito
por microorganismos terrestres ainda não foi descartada e por isso
mais pesquisas devem ser feitas antes de se concluir qualquer coisa.
Marte possui uma gravidade que se mostrou insuficiente
para reter sua atmosfera. Assim no momento em que cessou a atividade vulcânica
que mantinha um efeito estufa (que tornava o planeta aquecido) e gerava
pressão atmosférica suficiente para manter a água
líquida em sua superfície, parte desta evaporou e escapou
para o espaço e outra parte ficou retida em forma de gelo sob a
superfície.
As pesquisas sobre o planeta Marte se intensificarão
neste próximo século com o envio de uma série de sondas
que pesquisarão todos os aspectos físicos e a possível
existência de vida no passado1 do planeta.
Um outro local que parece ter condições
de abrigar vida em nosso sistema solar é a terceira maior lua de
Júpiter: Europa (Figura 6).
Graças a fantástica resolução
e sensibilidade das câmaras fotográficas e equipamentos de
medição da sonda Galileu , constatou-se que esta lua possui
uma espessa superfície de água congelada e que o gelo apresenta
uma série complexa de sulcos (Figura 7) que lembram as estruturas
formadas pelos Icebergs em forma de placas que se deslocam sobre os oceanos
Ártico e Antártico. A análise dos dados demonstrou
ainda um forte campo magnético, muito mais forte que o previsto
para esta lua.
A única explicação para estes
dados é que a superfície de Europa está “flutuando”
sobre um profundo oceano, por isso as fraturas de tensão do gelo,
e que o seu campo magnético é provocado pelo movimento de
correntes de água sob a superfície de gelo, sendo que este
oceano deve ser formado por água salgada !!
Como na Terra a vida surgiu, muito provavelmente,
em regiões profundas e aquecidas do Oceano, nas ventas térmicas
submarinas, é plausível a hipótese que possam existir
organismos se desenvolvendo neste oceano em alguma fonte térmica
em suas profundezas.
A sonda EUROPA ORBITER será enviada em
2003 com o objetivo de fazer uma análise da sua superfície
e da constituição do oceano sob ela.
Além destes dois corpos siderais, considera-se,
embora remotamente, a possibilidade da vida existir em cometas ou asteróides.
Esta teoria baseia-se no fato de que na Terra organismos conhecidos como
esporozoários, conseguem resistir durante um longo período
de tempo, na forma de esporos à condições de inospitalidade
do ambiente. Dessa forma se a vida surgiu em outro planeta fora do sistema
solar e este planeta foi estraçalhado pela explosão de uma
supernova, é especula-se sobre a possibilidade de formas esporozoarias
de bactérias conseguirem resistir no interior desses cometas, protegidas
assim da radiação cósmica.
Esta hipótese gerou a teoria da Panspermia,
segundo a qual a Terra foi “fertilizada”, no período da formação
dos oceanos, por cometas contendo esporozoários ou seja formas de
vida “prontas“. Esta teoria apesar de altamente improvável, possui
diversos seguidores.
7) Vida em outros Sistemas
Planetários
A partir da compreensão ainda que parcial
do surgimento da vida na Terra, podemos extrapolar as condições
que levaram o seu aparecimento como padrão, pois fora circunstâncias
muito especias1 este deve ser verdadeiro para planetas semelhantes aos
nossos. Em posse deste padrão pode-se saber sobre o que procurar
e onde.
Um dos primeiros passos para se pesquisar sobre a vida em outros sistemas planetários é confirmar que existem outros sistemas planetários.
Os problemas para esta confirmação estão nos fatos que devido as grandes distâncias das estrelas em relação à Terra, qualquer planeta que estiver porventura orbitando alguma delas ficará “ofuscado” pelo brilho da estrela, além disso não existem instrumentos óticos com resolução suficiente para “enxergar” diretamente planetas em outros sistemas solares distantes.
Contudo em 1995 foi divulgada a descoberta do primeiro planeta orbitando a estrela 47 URSAE MAJORIS3, através de técnicas de detecção indiretas: analisou-se o efeito Doppler de 4 estrelas semelhantes ao Sol e concluiu-se através de cálculos que deveria haver um planeta orbitando-as. Só assim seria explicado o sutil deslocamento de aproximação e afastamento da estrela (Figura 8)
Desde então foram anunciadas a descoberta
de mais oito estrelas com planetas em órbita de diversas estrelas.
Porém existe um problema com estes planetas: alguns são maiores
que Júpiter e outros com uma massa ligeiramente menor, mas todos
estão em órbitas extremamente próximas da estrela
do sistema, algumas tão próximas quanto a órbita do
planeta Mercúrio! Este fato é totalmente contra as teorias
de formação dos planetas gigantes gasosos teoricamente seria
impossível para estes planetas terem se formado nesta distância.
Hipóteses estão sendo propostas
para explicar este fato .As mais aceitas dizem que estes planetas se formaram
em órbitas mais distantes, porém migraram para órbitas
mais próximas e isto implica que em sua migração destruíram
ou “arremessaram” de suas órbitas qualquer planeta que estava em
seu caminho, aniquilando qualquer possibilidade de vida nesses sistemas
planetários.
Apesar de as primeiras notícias de planetas
extrasolares não levarem diretamente a possibilidade de vida, a
confirmação que existem outros sistemas planetários
além do nosso abre grandes perspectivas de que seja apenas questão
de tempo para que a planetas com um meio ambiente semelhante ao da Terra
seja detectado em algum sistema solar distante.
8) A Comunicação
Irresistível
A inteligência é um dos resultados
da evolução da vida no planeta.
A procura por vida inteligente no Universo é
muito mais árdua do que a simples procura pela vida. Contudo a fascinação
pela idéia de que existem outros seres inteligentes no Universo
e as implicações que esta descoberta traria compensam o esforço
para tentar detectá-la.
O astrônomo Francis Drake propôs
uma famosa equação pela qual poderíamos estimar o
número N de civilizações inteligentes na nossa
galáxia:
N = ƒp x ƒv x ƒi x ƒc x Ñ x Tt
sendo que:
>>> Ñ é a taxa de formação
de estrelas da galáxia, cerca de 3 por ano;
>>> ƒp é a fração
de estrelas que tem um sistema planetário;
>>> ƒv é a fração
de planetas como a Terra e que possuem vida;
>>> ƒi é a fração
de planetas que possuem seres vivos inteligentes;
>>> ƒc é a fração
de planetas que desenvolveram vida inteligente e possuem uma civilização
tecnológica com comunicação através de ondas
eletromagnéticas;
>>> Tt é o tempo de duração
de uma civilização tecnológica.
Assumindo que a vida é um fenômeno
comum no universo, a possibilidade de vida inteligente com uma civilização
tecnologicamente avançada em nossa galáxia seria de N=300.
Se assumirmos um cálculo pessimista contudo o valor N poderia ser
1/1.000.000, neste caso para existir uma civilização tecnológica
ela deveria existir por no mínimo 300 mil anos.
Mas porque a necessidade de possuírem
tecnologia de comunicação?
Pelo fato de que desde a década de 60
radioastrônomos tem realizado escutas em ondas de rádio na
faixa dos 1 a 50 cm com base na idéia de que do mesmo modo que parte
das ondas de rádio terrestres escapam para o espaço sem serem
refletidas de volta a Terra pela ionosfera, o mesmo pode estar acontecendo
em outros planetas que possuam civilizações tecnologicamente
avançadas.
Portanto a chance de captarmos sinais em freqüência
modulada de outras civilizações existe, apesar de sua dificuldade.
A grande expectativa é alguma dessas civilizações
tenha mandado uma mensagem proposital ou seja com o intuito que outra civilização
a captasse. Provavelmente o sinal desta mensagem seria mais forte e portanto
menos duvidoso quanto a sua origem1.
Atualmente este projeto chamado de projeto SETI
(Search for Extraterrestrial Intelligence) é encabeçado pela
Sociedade Planetária, que foi fundada pelo astrônomo e biólogo
Carl Sagan. Trabalhando com equipamentos muito superiores aos do início
do projeto tais como o Analisador de Espectro Multicanal o qual pode analisar
até 10 milhões de freqüências de uma única
vez contra apenas 30 freqüências por vez que eram analisadas
no inicio do projeto. Temos assim uma ampla região do espectro que
poderá ser analisada com muito mais rapidez do que nos últimos
30 anos de pesquisa, aumentando as nossas chances de captar sinais extraterrestres.
Até agora nenhum resultado positivo foi
alcançado, porém algumas emissões suspeitas foram
detectadas e estão sendo intensivamente estudadas sendo que já
se discute qual atitude devemos tomar ao recebemos um sinal positivo: devemos
responder? mesmo sem saber quem está do outro lado da linha? se
respondermos, qual será a mensagem?
Se respondêssemos encontraríamos
um grande obstáculo a distância, pois o tempo de ida da mensagem
terrestre, sua interpretação e possível resposta da
civilização extraterrestre, poderia durar, se detectássemos
sinais de vida inteligente na mais próxima estrela sob análise,
cerca de 500 anos.
As chances de nos deslocarmos até outros
sistemas planetários ainda é tecnologicamente impossível
para nós devido às grandes distâncias envolvidas, da
mesma forma que a possibilidade de outras civilizações conseguirem
chegar até nós parece improvável, mas não impossível
considerando que existem estrelas bilhões de anos mais velhas que
o nosso Sol, poderíamos imaginar o grau de desenvolvimento tecnológico
que civilizações, que porventura existam em algum planeta
destas estrelas, teriam alcançado.
Desde a década de 50 que supostos avistamentos
de naves alienígenas tem sido amplamente relatados, porém
a grande maioria deles parecem ter sido ocasionados pôr alucinações,
farsas e simples confusão com fenômenos celestes naturais.
Mas várias civilizações
no passado relataram ou pintaram Deuses ou criaturas fantásticas
que provinham do céu, o que pode ser explicado pelo fato de temerem
o desconhecido, por isso retratavam-no para poderem “dominá-lo”.
Contudo algumas delas chegaram a desenhar máquinas voadoras muito antes da nossa era tecnológica como é o caso do Astronauta de Palenque: uma lápide de um sarcófago encontrado em uma pirâmide Maia datada como sendo do séc. XIV demonstra claramente um rei ou semideus “montado” em uma “nave” com turbinas e manipulando o que parecem ser alavancas. Esta imagem continua sem uma explicação “coerente” para o seu significado (Figura 9).
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