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Quando se coloca pela primeira vez o olho à
ocular de um telescópio, a imagem formada pelo instrumento é
interpretada como sendo de pequenas dimensões. Essa primeira impressão
tende a desaparecer com o tempo. Os detalhes irão se revelando:
primeiro os mais evidentes, em seguida os mais difíceis. O cérebro
tende a reagir aos poucos, só depois de muitas observações,
ele fará uma avaliação correta da imagem. Também
é necessário aprender a colocar o olho no lugar certo, centrado
sobre o eixo óptico do instrumento e próximo da ocular para
que o olho possa recolher todo feixe de luz que sai da ocular.
Não pense o principiante que basta olhar
através da ocular para ver tudo o que o instrumento pode mostrar.
Já vimos que o cérebro precisa de tempo e treino para perceber
todos os detalhes de uma imagem e que também é necessário
colocar o olho no lugar certo, e tem mais, objetos pouco brilhantes ou
difusos como nebulosas e cometas são melhor percebidos quando não
olhamos diretamente para eles, olhando na sua vizinhança, obliquamente,
isto é, olhando de lado eles se tornam mais evidentes, mais destacados.
Localização de objetos
celestes
Tentar localizar um objeto com um telescópio,
que geralmente tem um campo de visão muito pequeno, sem o auxílio
de uma buscadora é uma tarefa difícil, trabalhosa e cansativa,
a buscadora é uma pequena luneta cujo campo de visão é
grande, da ordem de 7,5º que tem a função de facilitar
o enquadramento no campo de telescópio, a função da
buscadora é semelhante à do binóculo, é ver
melhor.
Focalização correta
Focalizar é colocar a ocular no lugar
certo de modo que possamos ver uma imagem nítida que revele detalhes
do objeto observado, as estrelas devem aparecer como pontos, não
como discos, e a Lua e os planetas devem aparecer, como discos, com seus
bordos bem definidos. A focalização não é absoluta,
pode variar de uma pessoa para outra, especialmente se uma tiver miopia
ou hipermetropia e a outra não possuir qualquer dessas anomalias.
Cuidado com os fortes aumentos –
Pura ilusão
Uma ocular muito potente, de poucos milímetros
de foco, fornece quase sempre uma imagem imprecisa escura e tremulante,
sem qualquer acréscimo na soma de detalhes. Os grandes aumentos
são utilizados somente quando as condições da atmosfera
são extremamente favoráveis. Uma ampliação
exagerada da imagem também exige uma boa qualidade óptica
e um diâmetro mínimo da objetiva que não deve ser inferior
a 80 mm para lunetas e 150 mm para telescópios.
Condições atmosféricas
Raramente a atmosfera oferece condições
de estabilidade e transparência, sem umidade, ventos, névoa
ou variações de temperatura entre as camadas da atmosfera.
A observação astronômica é uma escola de paciência
ou mesmo de resignação. Esses efeitos negativos são
tanto mais evidentes quanto mais próximo do horizonte estiver o
astro visado. Uma boa observação deve ser realizada com astros
que se encontram a pelo menos 35º ou 40º acima do horizonte.
Escala de avaliação de visibilidade
(seeing)
O astrônomo Eugéne M. Antoniadi
(1870-1944) desenvolveu um sistema, denominado “escala de Antoniadi”, que
permite a classificação das condições de visibilidade,
ou seeing, nas quais realizam-se as observações astronômicas:
I. Visibilidade perfeita, sem qualquer tremor.
II. Ondulações leves, com momentos
de calma que duram vários segundos.
III. Visibilidade moderada, com tremores.
IV. Visibilidade ruim, com imagem apresentando
desde pequenas ondulações até agitação
constante.
V. Visibilidade péssima, mal permitindo
a elaboração de um esboço da imagem
A observação
Uma observação mais rigorosa exige
que façamos anotações e esboços do que observamos.
Isso requer uma prancheta, algumas folhas de papel, caneta, lápis
e uma lanterna com filtro vermelho para não ofuscar a vista para
registrar o que observamos. A observação precisa ser acompanhada
de vários elementos que possam permitir a análise, a avaliação
do seu conteúdo. Essa lista de informações deverá
mencionar: hora da observação e do desenho, (a saber: começo
– hora e minuto exato em que se iniciou; esboço – hora e minuto
exato em que o desenho viu-se esboçado; término – a hora
e minuto exato que marcou o fim da observação e do desenho.
O tempo utilizado é o Tempo Universal T.U., é o tempo no
meridiano de Greenwich, à hora da observação), a data
completa, nome do observador, local da observação, instrumento
utilizado (tipo, abertura e distância focal), aumento, tipo da ocular,
condições atmosféricas (vento, temperatura, umidade,
névoa, transparência, nuvens passageiras, turbulência)
e outros fatos ou detalhes que julgar importantes.
Observação do Sistema
Solar
Observação do Sol
Sol
tal como é visto quando sua imagem é projetada sobre um anteparo
branco.
Observar o Sol é muito fácil e
acessível, é uma das poucas observações que
podem ser realizadas durante o dia claro. É possível realizar
trabalhos experimentais em física e geografia. Observando o movimento
do Sol ao longo de um ano permite entender as estações. Se
projetarmos sua sombra através de uma haste vertical fixa no chão
será possível medir o tempo enquanto o Sol estiver acima
do horizonte.
O Sol deve ser observado por meio de projeção,
sem perigo e muito cômoda, colocando uma tela ou cartão branco
a 30 cm (de 30 a 50 cm) da ocular e ajustar o foco, trazendo a ocular para
frente e para traz, até a imagem ficar nítida, basta olhar
os bordos do Sol, eles devem ficar bem definidos.
A observação por projeção
permite visualizar as manchas solares e verificar o movimento de rotação
do Sol de um dia para o outro.
É bom estar ciente do perigo da observação do Sol sem proteção. Observar o Sol a olho nu ou com uma luneta, binóculo ou telescópio é muito perigoso. A observação direta por meio de um instrumento óptico, provocará queimadura na córnea e na retina, com perda irremediável da visão. Por essa razão, aconselhamos que a observação do Sol se realize apenas pelo método de projeção.
Observação da Lua
Lua vista ao telescópio.
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A Lua é o astro mais fácil de ser
observado, pois mesmo um pequeno instrumento, com um aumento de 50 vezes,
permite observar detalhes de sua superfície, como crateras, planícies,
Alpes, cadeias de montanhas, ranhuras e algumas ondulações.
Somente na Lua conseguiremos observar imagens nítidas e muito bem definidas de tantos detalhes. Um binóculo ou uma pequena luneta permite ver detalhes como crateras, cadeias de montanhas e planícies. Com um telescópio de 150 mm de abertura é possível observar detalhes de 1800 m. |
Observação de Mercúrio
O planeta Mercúrio pode ser observado
a olho nu, pois sua magnitude chega a –1,2 apesar da observação
ser difícil devido à sua proximidade do Sol. Com uma luneta,
será possível acompanhá-lo durante todo o dia se tivermos
determinado a sua posição antes do nascer do Sol.
Para apreciar suas fases, principalmente nas
proximidades da conjunção superior, será necessária
uma objetiva de 60 mm de abertura e uma ocular de 100 vezes de aumento.
Para uma observação mais detalhada desse pequeno disco de
5 a 18 segundos de arco, convém utilizar um instrumento com abertura
superior a 15 cm, capaz de fornecer um aumento de 160 a 250 vezes.
Observação de Vênus
Vênus é de todos os planetas o mais
fácil de ser identificado, em virtude de seu brilho excepcional.
Sua magnitude pode alcançar o valor de –4,3 , ou seja, sua luminosidade
é 12 vezes superior à de Sírius, a estrela mais brilhante
do céu.
Um observador com uma luneta de 60 mm com um
aumento de 15 a 30 vezes poderá ver as fases de Vênus e com
um telescópio de 50 a 100 mm, ou maior, e um aumento de 150 a 200
vezes poderá visualizar detalhes que tornam sua fase irregular.
Observação de Marte
Marte
visto com uma luneta ou telescópio de médio porte.
Uma modesta luneta de 50 a 60 mm com aumentos
de 50 a 60 vezes, será suficiente para observação
da calota polar, como um ponto branco muito protuberante sobre a borda
do disco avermelhado do planeta. Só com um instrumento de 100 mm
de abertura será possível acompanhar as variações
da calota e visualizar as manchas na superfície do planeta. Com
um instrumento de 15 a 20 cm de abertura, será possível o
estudo da calota polar e o reconhecimento de quase todas as configurações
da superfície de Marte.
Observação de asteróides
Existem duas maneiras de se observarem os asteróides:
visualmente e por fotografia. O primeiro caso não envolve mistério
algum bastando seguir esta orientação: determinar a área
do céu em que as efemérides (efeméride: tabela que
fornece, em intervalos de tempo regularmente espaçados, as coordenadas
que definem a posição de um astro) que assinalem a presença
de algum asteróide. Confrontando o campo de visão com o mapa
estelar, constata-se que o planetóide procurado é precisamente
a “estrela” que não se encontra no mapa.
A observação telescópica
direta com instrumentos de amadores é muito precária e não
mostra nem o disco de Ceres, que subtende um ângulo de somente 0,7
segundo. Para uma observação mais profunda, o método
fotográfico constitui a melhor solução, pois amplia
o campo de investigação. Uma teleobjetiva de 300 mm alcança
asteróides de magnitude 13, ao passo que um de 200 mm detecta asteróides
de magnitude 15.
Observação de “estrelas
cadentes” e “chuvas de meteoros”
Quando estamos observando o céu vemos
estrias luminosas que atravessam o céu rapidamente, o fenômeno
dura algumas frações de segundo, e é popularmente
conhecido como “estrela cadente” , trata-se de um “meteoro” luminoso, meteoro
é qualquer fenômeno atmosférico, como chuva, vento,
granizo, etc.. Ocorre quando um fragmento de matéria proveniente
do espaço penetra na atmosfera terrestre. Ao atravessar a parte
da atmosfera, essas pequenas partículas se aquecem, devido ao atrito
com o ar, tornando-se luminescentes.
Ao contrário do que muitos podem pensar,
a melhor maneira de observar essas quedas de meteoros é com a vista
desarmada, uma vez que o campo visual abrange 180 graus.
A terminologia para designar esses corpos celestes,
que muitas pessoas confundem, deve ser entendida assim: define-se como
“meteoro” o fenômeno luminoso; “meteorito” constitui a partícula
ou fragmento que consegue chegar ao solo; e “meteoróide” é
o mesmo fragmento quando situado no espaço antes de a Terra encontrar
sua órbita.
Observação de cometas
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Cometa registrado em fotografias de longo tempo de exposição |
Observação Júpiter
Júpiter
visto com luneta ou telescópio.
Depois de Vênus, Júpiter é
o planeta mais fácil de ser identificado, em virtude de seu brilho.
Por outro lado, depois da Lua, é o astro mais fácil de ser
estudado através de uma luneta, pois seu diâmetro aparente
é suficiente para que se observe, com um modesto instrumento, os
principais detalhes de seu disco. Um binóculo permite visualizar
os quatro principais satélites de Júpiter.
Júpiter apresenta, visto de um telescópio,
numerosas faixas paralelas ao equador. As listras escuras recebem o nome
de faixas; as luminosas ou claras são chamadas de zonas.
Observação de Saturno
Saturno
visto com luneta ou telescópio.
Saturno é sem dúvida o mais belo
e interessante dos planetas. Quem o observa com um bom telescópio
dificilmente deixa de ficar fascinado pelo espetáculo oferecido
pelo globo e seus anéis. A utilização de binóculos
para observação de Saturno não mostra detalhes do
planeta, no máximo pode permite observar o formato ovalado do planeta
devido aos anéis. Com uma luneta de 60 mm de diâmetro já
se vê os anéis, mas só a partir de 150 mm de abertura
será possível ver divisões nos anéis e faixas
muito tênues no globo.
Observação de Urano
Não é preciso um instrumento muito
potente para se perceber o disco de Urano. Um telescópio refrator
de 80 mm já o define, cinza esverdeado muito pequeno. Alguns observadores
afirmam que o disco se torna bem perceptível com uma ampliação
de apenas 40 vezes.
Para se avistarem detalhes do disco, porém,
o aumento requerido chega a 500 vezes, com abertura de pelo menos 250 mm.
Dessa forma, Urano surge bem nítido. Percebem-se, então,
paralelas ao equador, faixas semelhantes às de Júpiter e
Saturno, que pouco contrastam com o resto do disco, devido ao fraco brilho
do planeta.
Observação de Netuno
Netuno aparecerá como um astro de magnitude
7,6. O astrônomo amador poderá, entretanto, acompanhar com
prazer o seu lento movimento entre as estrelas com o auxílio de
um binóculo.
Aos instrumentos de grande potência o corpo
achatado de Netuno revelará apenas faixas semelhantes às
de Júpiter e Saturno, embora com um aumento de 150 a 200 vezes
seja possível reconhecer o pequeno disco de aspecto planetário
entre as estrelas. Um telescópio de 250 mm permitirá observar
o satélite Tritão.
Observação de Plutão
Será necessária pelo menos uma
objetiva de 250 a 300 mm de abertura para observar Plutão como uma
fraca estrela de magnitude 14,5. A fotografia registrará sua imagem
se observado com um refrator de 100 mm e f/4,5 ou f/6,3 numa exposição
de uma hora com um filme muito sensível.
Observação de eclipses
solares
Eclipse
tal como é visto a olho nu.
As fases sucessivas de um eclipse parcial e anular
do Sol podem ser acompanhados a olho nu, com o cuidado de se proteger a
vista com um vidro de soldador n.º 14, utilizado em máscaras
de soldador. Na fase de totalidade no caso do eclipse total do Sol é
possível observar o eclipse sem qualquer proteção.
Se for utilizado um telescópio para observação do
eclipse, isso deve ser feito apenas por meio de projeção.
Observação de eclipses
lunares
Eclipse
tal como é visto a olho nu.
Para observar um eclipse lunar com o auxílio
de um telescópio convém utilizar a ocular de mais fraco aumento,
para obter, se possível, uma imagem de toda a Lua num mesmo campo
de visão. A observação de um eclipse lunar com um
binóculo também proporciona resultados muito bons.
Observação de estrelas
duplas
Podemos encontrar muitas estrelas que parecem
estar muito próximas umas das outras, são as chamadas estrelas
duplas. As duplas podem estar muito próximas uma da outra, isto
é, uma estrela orbita outra estrela ou podem ser duplas por paralaxe,
isto é, uma esta muito mais distante que a outra, mas se encontram
quase na mesma direção, quase na mesma linha de mira.
Para observar uma estrela dupla o ideal é
utilizar um telescópio, uma pequena luneta já permite identificar
muitas delas. Quanto maior a abertura do telescópio maior será
seu poder de resolução, ou seja, maior será sua capacidade
de separar estrelas duplas cuja distância angular é muito
pequena, desse modo os telescópios de grande abertura facilitam
a observação de estrelas duplas.
Observação de nebulosas, aglomerados de estrelas e galáxias
Abaixo você pode ver como nebulosas, aglomerados
de estrelas e galáxias aparecem em fotografias de longo tempo de
exposição.
M42
Nebulosa e Aglomerado Aberto |
Eta
Car
Nebulosa e Aglomerado Aberto |
M31
Galáxia |
M13
Aglomerado Globular |
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