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Os binóculos e o seu uso
para observar o céu
Muitos cometas e supernovas já foram descobertos
com um binóculo, isso por que ele permite a observação
de objetos pouco luminosos. Apesar da observação com binóculos
constituir uma etapa no conhecimento do céu muitos interessados
em observar o céu não se contentam com eles.
O binóculo é um instrumento excelente
para observação de cometas, eclipses, aglomerados de estrelas,
nebulosas e estrelas de brilho fraco.
Em todos os binóculos existe, em geral,
o registro, junto à ocular, de dois números separados por
um sinal de multiplicação como, por exemplo, 6 x 40. O primeiro
número indica o aumento em número de vezes, no caso 6 vezes,
e o segundo o diâmetro da objetiva do binóculo em milímetros,
no caso 40 milímetros.
Binóculos de teatro
Seu aumento é, em geral, muito fraco:
de 4 a 5 vezes no máximo. Em virtude de seu campo ser muito reduzido,
esses instrumentos não são utilizados pelos astrônomos.
Binóculos prismáticos
Foi para reduzir suas dimensões e inverter
a imagem invertida da objetiva que se utilizou dois prismas entre a objetiva.
Em virtude de seu aumento em geral de 7 a 15 vezes, os binóculos
seriam muito longos e pouco manejáveis.
À medida que o diâmetro de sua objetiva
aumenta, os binóculos permitem a observação de estrelas
menos brilhantes:
Diâmetro
Aumento Limite de brilho da estrela
20mm
6x Até magnitude
7,0
30mm
8x Até magnitude
7,5
40mm
10x Até magnitude
8,0
50mm
12x Até magnitude
8,5
Os binóculos de aumento muito grande não são recomendados para observação astronômica. Quando observamos o céu com um binóculo o objetivo é “ver melhor”, isto é, ter um grande campo de visão, ter pouca ampliação do objeto observado e ter o máximo de luminosidade para perceber os objetos menos luminosos possíveis, e isso depende do diâmetro da objetiva. Os binóculos mais recomendados a observação astronômica são: 6 x 40, 7 x 50, 10 x 50, 15 x 50, 10 x 80 e 14 x 100.
O que podemos observar com um binóculo
Lua
É possível observar crateras, planícies
(regiões escuras) e grandes cordilheiras.
Eclipses da Lua
Observação da penumbra, limite
da sombra e diferentes tonalidades e colorações durante o
eclipse.
Sol
Projetando (SÓ, E SOMENTE POR PROJEÇÃO)
a imagem em um anteparo branco e opaco é possível observar
manchas solares.
Nunca faça observação
direta do Sol com um binóculo (ou: lentes, sacos ou recipientes
cheios de água, gelo, espelhos, filtros escuros, óculos escuros
ou qualquer instrumento óptico) o resultado será a perda
total e permanente da visão.
Júpiter
Observação dos quatro principais
satélites que parecem como pontos luminosos.
Observação do movimento desses
quatro satélites de um dia para o outro.
Estrelas
Observação de estrelas duplas muito
afastadas e observação de estrelas variáveis cujo
brilho pode ser comparado com o das estrelas vizinhas.
Aglomerados de estrelas e nebulosas
Devido a grande luminosidade e ao enorme campo
de visão será fácil reconhecer aglomerados como as
Plêiades, Híades, M6 e M7 ambos próximo ao rabo do
Escorpião, Caixa de Jóias no Cruzeiro do Sul e nebulosas
como M31 a galáxia de Andrômeda, M8 em Sagitário, Eta
Carina e seus aglomerados e nebulosas vizinhos e não podemos esquecer
a grande nebulosa de Órion.
Via Láctea
– A Galáxia – A Nossa Galáxia
A observação da via láctea
será a mais impressionante. Milhões de estrelas, muito próximas,
manchas escuras, aglomerados de estrelas, diferenças na concentração
de estrelas de uma região para outra, manchas esbranquiçadas
que poderão constituir nebulosas ou aglomerados de estrelas, talvez
o mais belo cenário do céu noturno.
Os telescópios e lunetas
A ocular você pode fazer com uma lupa pequena
ou qualquer lente convergente pequena ou ainda
uma lente de óculos de grau bem alto -
"fundo de garrafa" - está lente deve ter distância focal
pequena dar de 20 a 50 mm
Você pode montá-la com tubos e conexões de PVC.
Veja o esquema abaixo:
Luneta ou telescópio refrator |
Telescópio
Refletor do tipo Cassegrain |
Telescópio refletor do tipo Newtoniano |
Características dos instrumentos
astronômicos
As possibilidades de observação
de um telescópio estão associadas ao diâmetro (abertura)
de sua objetiva e à distância focal dessa objetiva.
O diâmetro de abertura determina a luminosidade
do telescópio e determina a magnitude limite.
A distância focal F é a que separa
o centro óptico da objetiva ao foco, onde se forma a imagem nítida
de uma estrela.
O conhecimento de D e F fornece a relação
luminosidade F/D que pode ser entre 15 para uma luneta astronômica
(esse tipo de luneta possui luminosidade reduzida, campo reduzido – de
0,5º à 1,5º e grandes aumentos) e 5 para uma luneta de
distância focal curta (esse tipo de luneta possui grande luminosidade,
grande campo de visão – de 1,5º à 4,5º e pequenos
aumentos). Os campos foram calculados para objetivas de 30mm à 100mm
de diâmetro, para aberturas maiores o campo pode ser ainda menor.
Para os telescópios refletores a relação F/D em geral
vale de 6 à 8.
A relação F/D determina a luminosidade
do telescópio, quanto menor o valor de F/D maior será a luminosidade.
O aumento a do telescópio, ou seja, a
ampliação da imagem pela ocular pode ser calculado dividindo
a distância focal da objetiva F pela distância focal da ocular
f:
a = F/f
Exemplo: se tivermos uma distância F igual a 1200mm e uma ocular cuja distância focal f seja igual a 20mm o aumento será igual a 1200 dividido por 20, desse modo:
a = 1200/20 = 60
Assim teremos um aumento de 60 vezes.
O aumento a ser utilizado por um instrumento
vai depender do tipo de astro a ser observado (Lua, planeta, aglomerado
aberto, aglomerado globular ou nebulosa) e da qualidade do lugar da observação
(índice de agitação e transparência da atmosfera).
Em função desses diferentes fatores, o observador deverá
procurar escolher um melhor aumento, o que vai exigir uma coleção
de oculares com diferentes distâncias focais.
Aumento
Uso
Aumento mínimo 1/7
do diâmetro da objetiva em mm
Nebulosas difusas
Aumento normal Igual ao diâmetro
da objetiva em mm Geral
Aumento médio
1,5 vezes o diâmetro da objetiva em mm Detalhes planetários
Aumento máximo 2,5
vezes o diâmetro da objetiva em mm Estrelas duplas
No início, é aconselhável, para que se crie o hábito das práticas observacionais e também para avaliar o grau de interesse pela astronomia, começar com um instrumento de 50 a 60 mm de diâmetro.
Tipos de instrumentos e observação
| Tipos de instrumentos e observação | |
| Tipo de instrumento | Usos |
| Binóculo (7 x 50, 10 x 50, 15 x 50) | Cometas, nebulosas, lua, eclipses, aglomerados de estrelas. |
| Lunetas com diâmetro inferior a 50 mm | Inadequadas para observação astronômica |
| Luneta com diâmetro entre 50 e 60 mm | Planetas, lua, ocultações de planetas ou estrelas pela lua, aglomerados de estrelas, nebulosas, eclipses. |
| Luneta ou telescópio de 100 a 120 mm de abertura | Planetas, lua, ocultações de planetas ou estrelas pela lua, aglomerados de estrelas, nebulosas, eclipses, estrelas duplas, estrelas variáveis. |
| Telescópio equatorial de 200 mm de abertura | Planetas, lua, ocultações de planetas ou estrelas pela lua, aglomerados de estrelas, nebulosas, eclipses, estrelas duplas, estrelas variáveis. Bom para observação visual e fotográfica. |
Limite de magnitude
Diâmetro (mm) Refrator (m)
Refletor (m)
50
11,0
-
100
12,5 12,7
150
13,5 13,7
200
14,0 14,2
Se o astrônomo amador tiver o interesse pela observação de objetos de fraco brilho e em particular pela astrofotografia, será aconselhável adquirir um telescópio do tipo Schmidt-Cassegrain de com abertura de 200 mm – 2.000 mm de distância focal (f/10). Esse instrumento é compacto e isso facilita o transporte.
Como localizar um astro no céu
com um telescópio
Localização
A localização pode ser feita por
meio dos círculos horário e de declinação do
telescópio, isso se ele for equipado com montagem equatorial. Em
caso contrário, o observador terá que usar seu conhecimento
do céu, especialmente de algumas constelações, o que
permitirá, por alinhamentos e comparações entre as
estrelas mais brilhantes, localizar um outro astro numa carta celeste através
de suas coordenadas .
Sistema de alinhamento
Uma vez localizado o astro numa carta celeste
por alinhamento, o observador deverá procurá-lo na região
onde se encontra. No caso de um telescópio é muito difícil
apontá-lo logo na direção exata. O melhor será
primeiramente apontar o telescópio com o auxílio de uma luneta
de grande campo, em geral designada buscadora.
Depois, mirando pela buscadora, procurar colocar o astro no meio do retículo,
ou seja, no centro do campo. Se o eixo óptico da buscadora estiver
bem alinhado (paralelo) com o eixo óptico do telescópio,
o objeto deverá aparecer no centro da ocular do telescópio.
No início convém utilizar uma ocular de pequeno aumento (de
distância focal maior), que irá fornecer um campo visual mais
extenso e uma maior luminosidade.
Ao se trocar a ocular por uma de maior aumento,
no caso de tentarmos observar detalhes na superfície da Lua ou de
um planeta, deveremos reajustar o foco, deslocando a ocular para frente
e para trás na porta ocular.
A imagem que iremos observar será em geral
invertida, como se girássemos uma foto de 180º ou como a imagem
de um objeto formada por um espelho plano.
Se o instrumento não possuir movimento
de deslocamento para acompanhamento, deveremos lembrar que, devido à
rotação da Terra num campo visual de um grau de diâmetro,
o objeto celeste em observação permanecerá no campo
da ocular por 4 minutos no máximo.
Sistema de orientação
dos telescópios com montagem equatorial
Os círculos do telescópio, o círculo
horário e o círculo de declinação, permitem
transferir as coordenadas – ascensão reta e declinação
– do atlas celeste para o nosso telescópio.
Cada eixo do telescópio possui seu próprio
círculo. O círculo do eixo polar (eixo que se posiciona paralelamente
ao eixo da Terra) posiciona o telescópio no círculo horário
(ascensão reta) adequado e o círculo de declinação,
na declinação correta.
Montagem para telescópios
Ao adquirir um telescópio, o observador
iniciante quase sempre procura apenas excelente qualidade óptica
e grande capacidade de aumento. Mas esquece um fator fundamental ao desempenho
do instrumento: a estrutura de sustentação, sobre a qual
está montado o sistema óptico.
A falta de estabilidade dessa estrutura faz com
que, a qualquer toque ou mesmo pelo efeito da brisa, o tubo transmita um
vibração que irá persistir por vários segundos.
Mesmo os movimentos micrométricos, quando realizados num instrumento
de baixa qualidade, provocam oscilações muito incômodas,
impedindo o aproveitamento de sua potencialidade óptica. Esses defeitos
acabam sendo muito comuns, pois os fabricantes, atendendo a grande procura,
preocupam-se em fornecer instrumentos com qualidade óptica aceitável,
mas com mecânica medíocre e subdimensionada.
Uma boa estrutura deve ser, antes de mais nada,
robusta. Se o suporte, mesmo que bem construído, for pequeno e leve,
a possibilidade de o instrumento vibrar é grande. Outro aspecto
importante refere-se à precisão e regularidade do movimento
– que deve ser feito lenta e suavemente, sem solavancos. Um bom mecanismo
apresenta deslocamento micrométrico contínuo, e a força
aplicada para girar a rosca sem fim, engrenada na coroa dentada, não
deve encontrar resistência em nenhum ponto. Para que se possam executar
movimentos lentos, os eixos do telescópio se apoiam, quase sempre,
em coxins – o que surpreende quem espera encontrar rolamentos de esferas.
Esses detalhes são essenciais nos instrumentos profissionais, e
muitas vezes podem apresentar um custo superior ao próprio sistema
óptico.
Montagens
As técnicas que envolvem a estrutura de
sustentação prevêem dois tipos de montagem: a azimutal
e a equatorial.
Azimutal.
Nesse tipo de montagem, o instrumento gira em torno de um eixo vertical
que desloca o tubo do telescópio paralelamente ao horizonte, e de
um horizontal que permite o movimento ao longo da altura. Essa montagem
– leve e econômica – é a mais difundida entre os instrumentos
astronômicos de baixo custo. As lunetas terrestres, assim como os
tripés de máquinas fotográficas, só utilizam
a montagem azimutal.
No entanto, para fins astronômicos, ela
apresenta enormes desvantagens: exceto nos pólos geográficos,
suas possibilidades de deslocamento não correspondem ao movimento
aparente das astros (provocado pela rotação da Terra). Para
acompanhar uma estrela e mantê-la centralizada no campo de visão
é preciso acionar os dois movimentos.
Equatorial. Esse
tipo de montagem também permite a rotação em torno
de dois eixos ortogonais entre si (ou seja, dispostos em ângulo reto).
Um dos movimentos – sobre o plano do equador celeste – é feito em
torno do eixo polar, que deve apontar para o pólo celeste. O outro
movimento se dá em torno do eixo de declinação, e
o aparelho se desloca ao longo dessa coordenada. Estando o instrumento
com seu eixo polar voltado exatamente para o pólo celeste, isto
é, paralelo ao eixo de rotação da Terra, essa estrutura
permite um deslocamento paralelo ao do equador.
Isso significa que, para acompanhar o movimento
de um astro e manter a configuração do campo visual, basta
um único movimento constante do telescópio que compensa o
deslocamento diurno aparente dos astros. Nessas estruturas, é muito
importante que o sistema mecânico tenha grande precisão e
que seus eixos estejam realmente dispostos em ângulo reto. A margem
de tolerância é mínima.
A mais conhecida das montagens equatoriais é a “alemã”, concebida Joseph Fraunhofer (1787-1826) ao construir o famoso refrator de Dorpat, de 24 cm. Com esse instrumento, F. G. W. Struve (1793-1864) elaborou numerosos estudos a respeito de estrelas duplas.
Vantagens e desvantagens de lunetas e telescópios
| Qualidade | Luneta | Telescópio |
| Óptica | Em geral boa, apesar do acromatismo imperfeito | Acromatismo perfeito. Sua qualidade varia de uma instrumento para outro, segundo o seu fabricante |
| Estabilidade | Em geral insuficiente | Boa e fácil de ser aperfeiçoada |
| Manutenção | Nula | Realuminização periódica do espelho (em geral a cada cinco anos) |
| Transporte | Muito boa, difícil para instrumentos de grande abertura | Difícil, com exceção dos instrumentos de tipo Cassegrain |
| Volume | Muito grande para os instrumentos de grande abertura | Reduzido; com abertura de 200 mm ocupa a metade do espaço de uma luneta de igual diâmetro. |
| Preço | Em geral, interessante até 80 mm e enorme depois de 120 mm | Muito vantajoso para os telescópios de grande diâmetro |
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Criação e desenvolvimento - F.A.T. Assessoria |